Hematoma intrauterino (HIU) é o termo usado para o diagnóstico ultrassonográfico de uma área que corresponde a sangue coletado entre a membrana coriônica e o miométrio, popularmente chamada de “área de descolamento do saco gestacional”, podendo também ser chamado de hematoma subcoriônico. A incidência relatada na literatura médica varia de 1,7% a 18,2%.
A influência do HIU nas perdas gestacionais é ainda controversa. Esta pesquisa, realizada em Londres, incluindo 1.003 pacientes, mostrou que a presença de HIU identificado no ultrassom do primeiro trimestre não foi associada com aumento nas taxas de abortamento. Quando comparado a pacientes sem hematoma intrauterino, a frequência de perdas gestacionais no primeiro trimestre foi semelhante.
Pouco mais da metade das pacientes que apresentavam HIU no ultrassom tiveram também sangramento vaginal e, em 60% dos casos, dor pélvica. E mesmo quando a presença do HIU foi acompanhada de dor pélvica e/ou sangramento vaginal, não foi verificado aumento na frequência de abortamento no primeiro trimestre (até 14 semanas de gestação).
Entretanto, entre as pacientes com hematomas intrauterinos no primeiro trimestre foram mais frequentes a ocorrência de parto prematuro, rotura prematura de membranas, restrição de crescimento intrauterino e baixo peso ao nascer. Os resultados encontrados, principalmente o aumento na incidência de parto prematuro, já haviam sido relatados em outras pesquisas incluindo maior número de pacientes.
Alguns mecanismos têm sido propostos para explicar a ocorrência maior de parto prematuro nas pacientes com HIU, e acredita-se que a presença do hematoma possa dificultar a implantação e desenvolvimento da placenta.
Com base nos achados da pesquisa, os autores concluíram que a presença de HIU não está diretamente associada a um aumento no risco de abortamento, independentemente da localização, tamanho ou persistência do hematoma. E, embora esse resultado ainda necessite de confirmação com mais pesquisas, a associação com parto prematuro e outros desfechos desfavoráveis, faz com que estas gestações devam ser acompanhadas como de alto risco em potencial.
Referência: First-trimester intrauterine hematoma and pregnancy complications. T. Bourne e colaboradores. Ultrasound in Obstetrics & Gynecology, Volume 55, Issue 4, Abril 2020.
Drª Andrea Maria Andraus Dantas, Especialista em Medicina Fetal: CRM 12791 e RQE 13600.




2 Comments
Boa tarde!
Estava tomando heparina de 20 mg no início da gravidez. Depois de 10 dias comecei a tomar a heparina de 40mg. Depois de mais ou menos 5 dias comecei a ter sangramento e apareceu um hematoma. Pode está relacionado ao uso da Heparina?
Olá, Eliana. Como vai? A dose de 40 mg de Enoxaparina é dose profilática de trombose, não causa sangramento espontâneo.