Incompetência istmo-cervical: você já ouviu falar?

Incompetência istmo-cervical: você já ouviu falar?

É a dilatação cervical, geralmente indolor e assintomática, que ocorre no segundo trimestre da gestação, resultando num parto extremamente prematuro ou abortamento.

A incidência é bastante variável, de 1/100 a 1/2000 gestações.

A causa da Incompetência istmo-cervical não é completamente compreendida, mas envolve anormalidades estruturais e bioquímicas (inflamação e infecção), congênitas e adquiridas. Estão entre as causas:

1 – Doenças congênitas na produção do colágeno (por exemplo: Síndrome de Ehlers-Danlos);
2 – Conização prévia (amputação parcial ou completa do colo uterino para tratamento de lesões precursoras do câncer ou câncer inicial);
3 – Lacerações prévias do colo uterino, secundárias a partos e cesarianas;
4 – Prévia dilatação excessiva ou rápida do colo com instrumentos;
5 – Malformações uterinas congênitas (útero bicorno, septado e outros).

A ultrassonografia transvaginal no segundo trimestre, a partir de 15 -16 semanas, pode ajudar a identificar as pacientes que irão apresentar incompetência do colo, dentro do grupo de risco. Porém, infelizmente, na grande maioria das vezes, a incompetência do colo só é identificada depois do parto prematuro ocorrer pela primeira vez.

No ultrassom transvaginal a partir de 16 semanas podemos identificar:

1 – encurtamento cervical menor que 25 mm de comprimento;
2 – dilatação cervical;
3 – protrusão das membranas fetais no canal cervical (“sinal do dedo de luva”).

O tratamento da Incompetência istmo-cervical é realizado com cerclagem, visando reforçar a contenção e evitar que o colo uterino se abra precocemente. A cerclagem é um procedimento cirúrgico, realizado sob anestesia geral ou regional, aonde o colo uterino é costurado com fio inabsorvível. Classicamente é realizada após o ultrassom morfológico do primeiro trimestre, no qual se confirma o bom desenvolvimento fetal. Pode ser feita até 24 semanas. Próximo ao final da gestação, entre 36 – 37 semanas, o fio é removido para permitir a evolução espontânea do parto (1).

Nas pacientes sem condições anatômicas para cerclagem transvaginal, ou quando esta se mostrou ineficaz resultando em perda gestacional anterior, pode ser indicada a cerclagem pela via abdominal, geralmente realizada no período pré-gestacional.

No decorrer da gestação, a associação com outros métodos de prevenção do parto prematuro, como uso de progesterona e pessário cervical, podem ser recomendados para casos selecionados.

(1) ACOG Practice Bulletin No.142: Cerclage for the management of cervical insufficiency. Obstet Gynecol. 2014 Feb;123(2 Pt 1):372-379. doi: 10.1097/01.AOG.0000443276.68274.cc.

Drª Andrea Maria Andraus Dantas, Especialista em Medicina Fetal: CRM 12791 e RQE 13600.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *