A placenta é um órgão específico da gestação essencial à sobrevivência do bebê. Exerce uma série de funções, tais como promover as trocas gasosas materno-fetais, garantindo o aporte de oxigênio ao feto e a excreção de gás carbônico; permitir o transporte de nutrientes ao feto e a excreção de metabólitos; e assegurar a produção local de hormônios e enzimas.
O exame ultrassonográfico da placenta é de extrema importância e um dos parâmetros empregados na sua avaliação é o grau de maturidade. Ao ultrassom, a placenta é um órgão que possui um aspecto visualmente homogêneo. Com o avançar da gestação, ocorre um depósito de cálcio em alguns locais dela, formando pequenas calcificações, visíveis como pequenos pontos brancos.
O grau de maturidade pode ser obtido pela intensidade, quantidade e extensão destas calcificações da placenta expresso como um escore que varia de 0 a III. Essa classificação foi feita a partir de um estudo realizado em 1979 por Peter Grannum e colaboradores, e é usada até hoje. O grau 0 designa uma placenta homogênea, sem calcificação; o grau I, presença de pequenas calcificações intraplacentárias; o grau II, de calcificações na placa basal; e no grau III observa- se compartimentação da placenta pela presença de calcificação da placa basal à coriônica.
Neste estudo, os autores encontraram correlação entre o grau de calcificação e a maturidade pulmonar fetal. Todavia, diversos estudos realizados posteriormente não encontraram causalidade nesta relação. Na atualidade, sabemos que a avaliação das calcificações placentárias não tem sido útil em predizer maturidade ou sofrimento fetal. Aproximadamente 20% das placentas no termo tem importantes calcificações (grau III de Grannum).
É questionável se o aparecimento de calcificações em idades gestacionais mais precoces (grau III antes de 36 semanas) pode ajudar a identificar pacientes de risco para pré-eclâmpsia e fetos de risco para restrição do crescimento. Também já foi descrito em pacientes fumantes, com hipertensão arterial crônica, diabetes, lúpus eritematoso sistêmico e outras doenças vasculares.
Aspecto relevante a ser considerado é que a avaliação do grau placentário é subjetivo, ou seja, não é quantificável. Importante salientar que o grau placentário não é indicação para a antecipação do parto, pois a principal avaliação nesses casos se dá pelo perfil de crescimento fetal e pelo volume do líquido amniótico. Há uma variação considerável entre os examinadores, tornando essencial que essa avaliação seja feita por obstetras experientes especializados em Medicina Fetal.
Drª Andrea Betina Schmitt Palmieri, Especialista em Medicina Fetal: CRM 9820 e RQE 15841.



