A avaliação ultrassonográfica do terceiro trimestre mostra uma grande proporção das pacientes que irão desenvolver pré-eclâmpsia e também bebês pequenos ou grandes para a idade gestacional, sendo esse o seu maior benefício à gestação.
Estudo desenvolvido no King’s College Hospital, publicado em janeiro deste ano*, mostrou ganho adicional na detecção de malformações fetais, que foram perdidas no primeiro ou segundo trimestres, ou que se tornaram aparentes somente no terceiro trimestre.
No terceiro trimestre, são identificadas particularmente as lesões no sistema nervoso central, que podem ser anomalias de desenvolvimento ou adquiridas no decorrer da gestação. Hemorragias e tumores fetais, assim como infecções maternas podem causar ventriculomegalia e microcefalia identificáveis somente no final da gravidez.
Anormalidades cardíacas progressivas, como coarctação de aorta e estenose das valvas pulmonar ou aórtica, podem ser identificadas, permitindo direcionamento para o parto em centros com expertise em cardiologia pediátrica, assim como bebês com hérnia diafragmática.
Em outros casos, como quando presentes anormalidades do aparelho urinário e digestivo, muitas vezes decorrentes de obstrução, também se tornam visíveis somente no terceiro trimestre, quando a produção de urina e conteúdo intestinal aumenta consideravelmente. Com a identificação dessas alterações no pré-natal, os pediatras podem ser alertados sobre a necessidade de apropriada investigação e seguimento após o nascimento.
Doenças do esqueleto também são identificadas no terceiro trimestre. As mais graves são muito raras, porém importantes. A acondroplasia, popularmente conhecida por nanismo, pode ser somente vista no terceiro trimestre. Assim como outras alterações mais comuns, como malformações das mãos e pés.
Uma alta proporção de anormalidades fetais são detectadas pela primeira vez no terceiro trimestre. Nesta pesquisa encontraram 0,5%, ou seja, um a cada 200 bebês apresentou alguma malformação que não havia sido detectada nos exames anteriores.
O diagnóstico pré-natal e subsequente manejo, incluindo o melhor momento e hospital para o parto e a investigação pós-natal, podem melhorar a evolução e o desenvolvimento da criança.
Proporcionar consequências benéficas que irão durar a vida toda! E esse é o nosso maior objetivo na Medicina Fetal.
Drª Andrea Maria Andraus Dantas, Especialista em Medicina Fetal: CRM 12791 e RQE 13600.
*Fonte: A.Ficara, A.Syngelaki, A. Hammami, R. Akolekar, K.H. Nicolaides. Value of routine ultrasound examination at 35-37 week´s gestation in diagnosis of fetal abnormalities. Ultrasound in Obstetrics & Gynecology: vol.55, Issue 1. Jan/2020.




2 Comments
Tudo o que eu estava precisando ler, pois estamos investigando o crescimento da minha bebê e já estou no terceiro trimestre, e muito nervosa com isso tudo. Dra. Dantas é uma excelente profissional e dia 29/06 tenho uma ultrassom onde vamos verificar tudo isso. Mas creio que vai dar tudo certo. Já deu em Nome de Jesus Dra. Andrea Dantas parabéns pelo seu desempenho e seu profissionalismo, e também por ser tão humana.
Olá, Gisele. Acompanhar o crescimento do bebê no terceiro trimestre sem dúvida faz toda diferença. Fazemos todo o possível para garantir o melhor para a saúde do seu bebê. Obrigada pela confiança.